Tem horas que é bom tirar a poeira.
Desde o final do ano passado, a única coisa que tem ficado empoeirada é essa sacada aqui, de onde eu jogo palavras no ciberespaço. Não é minha primeira sacada, não é minha primeira janela.
Costumam falar de como primeiras vezes são interessantes. Não sei se concordo com isso.
O primeiro gole de cerveja desceu amargo e desagradável, até o dia em que soube aproveitar o prazer encerrado na cevada, no malte e no lúpulo. Uma primeira vez em pé, numa garagem abandonada, meio bêbado e tomando cuidado para que os gemidos da moça não fossem ouvidos pelos donos da casa, que dormiam o sono dos justos, meia janela acima, foram bem mais estressantes e desagradáveis que lençóis cheirosos e motéis baratos que fizeram uma fama a que nem sei mais se ainda faço jus.
O tremor na primeira vez que pisei num palco e brandi um acorde, ou que tive coragem de mostrar uma canção a alguém, são sombras distantes quando gravo algo no microfone vagabundo de meu micro e passo para amigos que vão ser sinceros quanto à suposta beleza de minhas letras e à evidente incapacidade de minha voz.
Nesse meio tempo que isso aqui pegou poeira, essa janela cuja paisagem nunca foi novidade, tanto que ficou tanto abandonada, feito a amante corriqueira que fica semanas sem a ligação do canalha que a conquistou, desempoeirei tantas coisas, que esta prateleira mais recente ficou encardida.
Sei que ninguém vai passar os dedos por aqui para conferir qual o nível de descaso do dono da casa. Porém passei o espanador, caso uma visita apareça, e o cinismo reluz sob os livros que ainda não tive tempo de ler.
quinta-feira, 6 de março de 2008
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Um comentário:
Os meus dedos passaram por aqui... Primeira vez ....posso add/?!
adorei os comentarios!
Os livros serao desempoeirados com o tempo.
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