domingo, 18 de maio de 2008

Pelas frestas

Não sei fechar portas. Não sou bom em encerrar assuntos.
Andei pensando nisso esses dias. Nunca (ou quase nunca) apago um telefone da agenda. Desde as de papel, capa de curvem preta, que cabia no bolso de trás da calça e me servia em momentos de aperto, tristeza, carência ou tesão. Ou tudo junto.
Mesmo após um fora, uma situação mal resolvida, um pedido de tempo. Não importando qual a parte deflagradora do processo, o número continuava lá, à espera. Num sábado qualquer. Num dia com dois convites para o cinema. Ou a vontade de um chope.
Mesmo as minhas despedidas nunca são um "adeus" e sim um "até logo".
Defeito? Acho que sim... mas é meu jeito. Sou bom em pedir e aceitar desculpas, reconciliações, mesmo que nada volte a ser como antes. Minhas lágrimas são sempre sinceras.
Assim vamos levando a vida.
Até que dê vontade de saber se aquele e-mail ainda é acessado, se aquele msn ainda é usado, se aquele celular ainda está ativo... até...

sábado, 10 de maio de 2008

Despacho no cruzamento

Farofa, cachaça e charuto. Um bolero tocando ao fundo, bem dentro de minha cabeça. Muita música latina nos últimos dias. O bordel de minha mente tem fregueses indesejáveis e putas bonitas. Sempre assim.
Qual o próximo passo? Qual a próxima música? Que pincel uso para o próximo rabisco? Qual rumo tomar, qual o foco a que me dedicar? Resolvo ser músico? Pintor? Escritor? Tudo junto?
Não sei, sinceramente não sei. Não sei de nada, nunca sei se saberei.
...ou não...
Junto à farofa, à cachaça e ao charuto, tento escolher um caminho, ou dois ou os três ou quatro que se apresentam. Apesar de não saber, sei que dessa vez a farofa, a cachaça e o charuto não mais me manterão aqui, esperando, como das outras vezes.
Agora eu vou em frente. Mesmo que dê errado, ou por isso mesmo.