sábado, 27 de outubro de 2007

Déja vu

Tenho lembrado sistematicamente de diversas mulheres por quem fui apaixonado (leia-se 'tentei freneticamente levar para a cama') no passado.
Não é saudade... apenas algumas coincidências as têm trazido de volta à minha cabeça. Não sinto nada mais por nenhuma delas. E também não sei se as cantaria hoje em dia. Apenas tenho a curiosidade de saber como elas estão.
Apenas isso.
Somente...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Quando me chamo Morfeu

Já tive algumas mulheres. Não muitas, como gostam de apregoar os cidadãos que se gabam de uma virilidade desmedida. Sou um homem normal. Tive mulheres normais. Algumas bonitas, outras feias. Gordas, magras. Tenho uma propensão pelas neuróticas e carentes. E só. A grande maioria já tinha sido de outros homens. Quase todas voltaram ou voltaram a ter outros homens em si. Isso não me importa.
Mas algumas mulheres somente eu as tive. Somente eu as terei. As mulheres de meus sonhos.
Não falo das mulheres que povoam meus momentos de solidão, modelos e atrizes que me atiçam a libido. Falo de mulheres que habitam meus sonhos enquanto durmo. Mas aí, excluam, por favor, as mulheres que encontro nos meus dias. Falo apenas das mulheres que encontro apenas enquanto estou dormindo.
Como as mulheres de minha vida real, elas também são variadas. Bonitas. Feias. Gordas. Magras. A diferença é que, em vez de neuróticas (não que algumas não sejam), a maioria das mulheres de meus sonhos é intensa. Intensamente intensas. Elas me desesperam, me fazem correr, pular, mentir, fugir. Me fazem fazer de um tudo. Com trilhas sonoras das mais variadas. Como a oriental que conheci numa cidade retrô-futurista de prédios imensos, ruas vazias e luzes amareladas, ao som de metal melódico. Ou a morena de olhos de fogo, que encontrei num inferninho que tocava metal eletrônico alemão. Ou a menina de rostinho doce, de uma noite suja e chuvosa, quando um bar vomitava baladas. Outra curiosidade, além da trilha sonora, é que, quando acordo, nunca sei se é verdade ou apenas sonho, de tão verossímeis e irreais são as histórias. Ahh... tudo sempre se passa à noite, mesmo que o sono seja num ônibus ao meio-dia.
Algumas são efêmeras como o sono de depois do almoço ou o cochilo dentro da condução no caminho para o trabalho. Outras até voltam. Ou pelo menos mandam recado. Hoje, cochilando de cansaço, andava, em um desses sonhos, por uma rua no início de uma noite. Quando uma mocinha, de pele muito branca e cabelos pretos e azuis me parou e perguntou por uma menina. No sonho, eu a ouvia perfeitamente, mas mal ela pronunciava o nome, eu o esquecia, apesar de saber quem era. Eu dizia que nunca mais a vira. E essa menina de pele branca, que eu conhecia sem nunca tê-la visto, dizia ter-nos visto numa noite há muito tempo, quando passara numa daquelas ruas desertas de arranha-céus fantasmagóricos e luzes amarelas. Só me lembro de uma das frases que ela me disse em sonho.
"Achei que vocês fossem namorados. Nunca houve um casal tão apaixonado como vocês dois. Nunca mais os beijos foram tão intensos ou tão bonitos ou tão carinhosos quanto naquela noite, sob aqueles postes."
Aí eu me recordei, em sonho, daquele outro sonho, onde eu estava em uma Metrópolis tropical, com um fundo musical melódico e luzes difusas. E me lembrei também de como ela se foi, um pouco antes da aurora. E de como acordei, como das outras vezes, sem saber se era sonho ou realidade.

domingo, 7 de outubro de 2007

Aprendendo a dizer não

Diametralmente oposto. Talvez, por ser libriano. Talvez por ser bom.
Sou oito ou oitenta, não gosto muito de meio-termos, apesar de ser vaselina e diplomata.
Tenho de aprender a dizer não. Tenho de aprender a negar, a bater pé, a ser egoísta e pensar mais no meu umbigo.
Queria poder não ter essa preocupação. Mas à minha volta, tantos pensam assim que não me resta alternativa que não essa.
Vontade que tenho é de tomar o freio nos dentes e guiar conforme minha vontade. Se der merda, apenas eu sou o culpado, e não me darei o direito de dizer para mim mesmo "se eu não tivesse feito isso para agradar fulano". Não quero mais ouvir recriminações de mim mesmo.
Que tal marcar o dia de hoje como um recomeço? Será que vão se acostumar com o novo Boamorte?
Um dia saberão.

sábado, 6 de outubro de 2007

Será?

Quase chorei esses dias. Segunda-feira, para ser mais exato.
Estava trabalhando de casa, numa das minhas costumeiras quatorze, quinze horas diárias desse moedor de carne chamado trabalho, quando me deparei com um anúncio a ser feito. Era para um dos jornais que monto de casa. Um anúncio simples, o menor módulo, preto-e-branco. Um sujeito se oferecendo como operador de computador.
Não sei como, mas ler aquilo me deu uma tristeza absurda. Eu, aqui, capacitado, qualificado e coisetal, meio que reclamando da vida e o cara lá, humildezinho se oferecendo com habilidades básicas, trabalho braçal e simples.
Como nos cobramos.
Como nos martirizamos.
E, tenho certeza disso, na maior parte das vezes, não recebemos sequer uma ínfima parte do valor que merecemos.
Não sei, talvez eu tenha me visto naquele minúsculo anúncio. Talvez, em parte, ou em todo, eu seja como um homem como aquele.
Talvez eu devesse ter chorado.
Por ele.
Por mim.
Por tantos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Um post por Burma


Free Burma!


Não tá ligando o nome à pessoa? Então olha isso...

sábado, 15 de setembro de 2007

Lembra-se?

Quase três meses... antes tarde do que nunca...

Lá fora o dia está lindo, pedindo praia, cerveja, música. Aqui, protegido por vidraças grossas, o que brilha é a tela á minha frente. Por sorte a empresa está vazia, e a voz humana, por enquanto, ainda não me irrita.
Tenho estado estranhamente feliz. ou, melhor dizendo, estranhamente tranqüilo. Acho q um peso foi tirado de meus ombros, o gosto ruim que estava em minha boca foi engolido e desapareceu. A melancolia ainda é a companheira mais constante. Mas pelo menos, agora ela se mantém calada, na dela, enquanto eu continuo andando.

Andei passando mal uns dias. Repensando posicionamentos, analisando decisões.

O que aconteceria se eu tivesse retornado algumas ligações? Ou se, ao invés de ir pra um bar, eu tivesse ido a outro? Quem vai saber? Fiquei fazendo esse tipo de conjecturas toda uma tarde. Fiquei me lembrando de quantas bocas eu não beijei porque as donas estavam dando muito trabalho. Pelo menos umas três eram sérias candidatas a um amor platônico. Deixei-as para trás, nem sei mais nada delas. De uma, nem lembro como se proncuncia mais o nome. Só me lembro do nome da irmã dela, Maitê. Estranho se lembrar de uma pessoa que não teve influência sobre seus sonhos e não recordar do nome de quem te fez perder diversas noites de sono.

Somos todos estranhos. A diferença é que alguns convivem melhor com isso.

domingo, 24 de junho de 2007

Descaminhos e descalabros

Costumo trabalhar aos finais de semana. É uma rotina que se repete desde sempre. Exceto breves períodos, sempre trabalhei. Meus amigos já acham estranho eu chegar do trabalho na hora em que eles estão indo pra cama e acordar quando eles já estão cansados de olhar para a cara do chefe.
Ultimamente, porém, tenho pensado, e muito em mudar isso. Ainda não sei como... mas começo a achar um desperdício perder um sábado e um domingo tão bonitos quanto os deste final de semana dentro de uma caixa de concreto e vidro.
Pensar enlouquece... e tenho pensado em doses cavalares.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

O Início do fim... ou o fim do início

Diz meu pai que nasci numa madrugada de junho. Numa noite fria e melancólica como meu pai. Nasci de uma mãe alegre, mas meu pai amava outra, tão distante quanto ele. Inatingível. Apesar da tristeza paterna, fui contagiado pela alegria materna e aprendi a ter um belo sorriso, consigo enganar muitos, quase todos até, sobre meu verdadeiro íntimo. Sou, como meu pai, um angustiado, um cínico. Um ser capaz de sorrir, mas que não sabe ser feliz. Isso, nunca saberei.
Contar como vim ao mundo talvez explique muita coisa. Talvez não, mas pelo menos tentei e isso me satisfaz por ora.
Estive em um enterro esses dias. Não gosto de enterros, eles me emocionam. Assim como casamentos. Acho casamentos e funerais muito parecidos. Pessoas com suas boas roupas, parentes distantes se revendo e lembrando histórias, as pessoas mais próximas chorando. Além disso, ver os noivos entrando na igreja, caminhando sobre o tapete, comumente vermelho, me trazem reminiscências de alguns filmes de infância. Os noivos têm um quê de condenado rumo ao cadafalso.
Não que eu ache o casamento uma instituição falida ou que queria apenas fazer piada. Eu acho o casamento bonito, mesmo os que dão errado. Os vejo como uma experiência de vida muito válida. Mas acho os noivos dois moribundos. Ali, ao colocarem as alianças estão matando um pouco do que eles eram antes. Tais como a fênix, eles estão morrendo ali, no fogo do altar e do cartório para renascerem logo em seguida como um casal. Mas como um casal, leia bem. Não mais o fulaninho ou a beltraninha, e sim a Fulana, casada com Sicrano, ou o Dito Cujo, marido daquela Outra.
Acredito que, se alguma mulher me ouvir, me lançará olhares de ódio, mas fazer o quê? Eu penso assim, e é assim que eu acho que as coisas acontecem.