Quase chorei esses dias. Segunda-feira, para ser mais exato.
Estava trabalhando de casa, numa das minhas costumeiras quatorze, quinze horas diárias desse moedor de carne chamado trabalho, quando me deparei com um anúncio a ser feito. Era para um dos jornais que monto de casa. Um anúncio simples, o menor módulo, preto-e-branco. Um sujeito se oferecendo como operador de computador.
Não sei como, mas ler aquilo me deu uma tristeza absurda. Eu, aqui, capacitado, qualificado e coisetal, meio que reclamando da vida e o cara lá, humildezinho se oferecendo com habilidades básicas, trabalho braçal e simples.
Como nos cobramos.
Como nos martirizamos.
E, tenho certeza disso, na maior parte das vezes, não recebemos sequer uma ínfima parte do valor que merecemos.
Não sei, talvez eu tenha me visto naquele minúsculo anúncio. Talvez, em parte, ou em todo, eu seja como um homem como aquele.
Talvez eu devesse ter chorado.
Por ele.
Por mim.
Por tantos.
sábado, 6 de outubro de 2007
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