sábado, 13 de dezembro de 2008

Já é Natal...

...e aqui faz frio. Era pro sol estar rachando ali fora, mas o destempero do clima que vínhamos parcelando todos esses anos trouxe uma chuva safada. E com ela, o frio...
Não é o Natal dos filmes, com neve e motivo pra nos entupirmos de avelãs, nozes e outras coisinhas que não acho que combinem com nosso tropical-way-of-life.
Mas nem era isso que eu gostaria de comentar, não necessariamente... só deixar uma questão. Existe tesão intelectual?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Me irrita...

...pessoas que terminam a frase com um "entendeu?" Ainda mais quando o tom de voz subestima a inteligência alheia.

Vontade de jogar pela janela!

domingo, 15 de junho de 2008

Confiável e acessível

São duas palavrinhas que, ao lado de bonachão, eu carrego comigo desde sempre. Tirando algumas poucas mulheres, normalmente as pudicas, que, ao conseguirem ler a verdade em meus olhos, trocam de calçada, quase todas me dão algum tipo de atenção e confiam em mim.
Ontem, ao entrar num salão de gafieira para matar a saudade de um pouco de dança, a terceira menina com quem dancei ficou conversando comigo, como se nos conhecêssemos há tempos. Uma facilidade muito grande de entendimento... talvez porque eu, ali, era apenas alguém querendo dançar, sem intenção de cantar ou ser cantado... pelo puro prazer da dança. Pensei até em, ao me despedir antes do que eu planejava, pedir o telefone da mocinha. Mas depois pensei que isso poderia quebrar o encanto... deixei ao acaso a possibilidade de tornar a ver os olhos doces da mocinha morena.
Hoje cedo, ao sair para trabalhar, encontro uma amiga de décadas (cada vez mais linda), que me conta que conheceu alguém que me conhece. Entre conversas sobre mundo pequeno e coincidências, ela começa a me confidenciar que terminou o relacionamento de meia dúzia de anos e contar como está com medo de se envolver novamente
Engraçado como desperto a confiança nas pessoas...
Deve ser porque ando por aí de peito aberto, sem reserva nenhuma...
Deve ser...

domingo, 18 de maio de 2008

Pelas frestas

Não sei fechar portas. Não sou bom em encerrar assuntos.
Andei pensando nisso esses dias. Nunca (ou quase nunca) apago um telefone da agenda. Desde as de papel, capa de curvem preta, que cabia no bolso de trás da calça e me servia em momentos de aperto, tristeza, carência ou tesão. Ou tudo junto.
Mesmo após um fora, uma situação mal resolvida, um pedido de tempo. Não importando qual a parte deflagradora do processo, o número continuava lá, à espera. Num sábado qualquer. Num dia com dois convites para o cinema. Ou a vontade de um chope.
Mesmo as minhas despedidas nunca são um "adeus" e sim um "até logo".
Defeito? Acho que sim... mas é meu jeito. Sou bom em pedir e aceitar desculpas, reconciliações, mesmo que nada volte a ser como antes. Minhas lágrimas são sempre sinceras.
Assim vamos levando a vida.
Até que dê vontade de saber se aquele e-mail ainda é acessado, se aquele msn ainda é usado, se aquele celular ainda está ativo... até...

sábado, 10 de maio de 2008

Despacho no cruzamento

Farofa, cachaça e charuto. Um bolero tocando ao fundo, bem dentro de minha cabeça. Muita música latina nos últimos dias. O bordel de minha mente tem fregueses indesejáveis e putas bonitas. Sempre assim.
Qual o próximo passo? Qual a próxima música? Que pincel uso para o próximo rabisco? Qual rumo tomar, qual o foco a que me dedicar? Resolvo ser músico? Pintor? Escritor? Tudo junto?
Não sei, sinceramente não sei. Não sei de nada, nunca sei se saberei.
...ou não...
Junto à farofa, à cachaça e ao charuto, tento escolher um caminho, ou dois ou os três ou quatro que se apresentam. Apesar de não saber, sei que dessa vez a farofa, a cachaça e o charuto não mais me manterão aqui, esperando, como das outras vezes.
Agora eu vou em frente. Mesmo que dê errado, ou por isso mesmo.

domingo, 27 de abril de 2008

Uma navalha on the rocks, please

Tenho uma personalidade dúbia.
Alterno momentos de euforia incontida com uma melancolia incontrolável. Normalmente volto ao meio termo com música, muita música. Não tiro música do ouvido. Estou ficando surdo por isso, mas é algo que posso suportar.
Esses dias, ouvi novamente Damien Rice, baixei o O uns tempos atrás, ouvi bastante e depois o esqueci em algum cd de mp3. Resolvi ouvir mais um pouco, para saber porque havia parado de ouvi-lo, já que as lembranças eram boas.
Coloquei no Deezer e fui ouvir um pouco. O cara é bom, mas, dependendo de meu humor no dia, eu corto os pulsos na terceira faixa...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Por uma vidinha menos correta

Tava pensando umas coisas enquanto assisto o jornal da manhã.
Como vivemos uma vidinho ordinária num país ordinário. Apesar do orgulho que (ainda) tenho de ser brasileiro, considero que, como supostamente já dizia de Gaulle, o Brasil não é um país sério.
Um militar fala uma verdade sobre um bando de índios piolhentos e é chamado à atenção por um presidente inepto (a quem me arrependo de ter dado um voto de confiança uns anos atrás). Um cara mata e esquarteja uma mulher e vai responder em liberdade. Uma cidade (o país todo, praticamente) sofre com um mosquito e os dirigentes tão cagando pro detalhe. Os jornais preferem falar de quem come quem ou apontar suspeitos de crimes do que ficar atazanando a paciência de quem realmente precisa.
Sei lá... de saco cheio... uma hora me mudo pra roça e vou plantar cana, criar porcos e passar o resto da vida à base de pinga e torresmo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Cai dentro?

Estava revendo hoje o clipe de Smack my bitch up, do Prodigy. Nem sou fã dos caras, mas gosto desse clipe. Talvez até mais que o batidão da música. Tem horas que gostaria de chutar uma penca de coisas e fazer algo do gênero.
Faz séculos que não vomito... deve ser por isso que tenho estado tão desagradável.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Sobre mamutes e dinossauros

Uns tempos atrás, conversava com um amigo. Sobre o futuro dos jornais impressos. A internet estava cada vez mais forte, um portal se instalava próximo ao nosso local de trabalho e o amigo, que cursava jornalismo, se mostrava preocupado com o futuro.

Na época, chegamos à conclusão de que o futuro do jornalismo impresso seria investir em mais jornalismo investigativo, em detrimento "ao que aconteceu ontem". Estive pensando nisso ontem, enquanto a chuva caía à minha volta.

Não mudei muito de opinião nesses anos todos. Cada vez mais acho os jornais e revistas que entulham as bancas podres. Completamente podres. Não pelo fato de serem direita ou de esquerda. Acho a parcialidade totalmente aceitável, até mesmo preferível. Se quero opiniões de "direita", leio um jornal de "direita". Se quero uma opinião de "esquerda", leio um jornal ou revista que acha que o socialismo é o último grito.

O que me irrita é essa suposta imparcialidade e isenção. No final das contas, lemos o que os donos querem. Se o prefeito é do Partido X e libera uma verba ou abre um caminho, nada de falar mal dele. Criticar o Governador Y, que liberou a concessão? Jamais! Façam-me o favor e honrem as calças que vestem! Escolham um lado e assumam! Isso de ficar em cima do muro é que mata.

Além disso... acho que falta ao jornalismo atual a função de sentinela. Como? Simples... De quantos escândalos você ainda se lembra? Mensalão. Mensalinho. Dólar na cueca. Crise aérea. Que fim levaram esses e tantos outros? Melhor só falar dos acidentes na Avenida Brasil e engarrafamentos na Marginal Pinheiros, né? O povo tem memório curta. E, quem sabe aquele deputado que fez caca não pode ajudar a liberar a licença de construção de um novo prédio para a redação multimídia?

domingo, 30 de março de 2008

Samba

Saí esses dias, esquema simples, tranqüilidade total. Resolvi dançar. Não danço há tempos, mais ou menos uns dez meses. Coisas da vida. Ter voltado me fez chegar à três conclusões.
Um - Estou enferrujado, mas nem tanto.
Dois - Tenho de voltar a dançar com freqüência urgentemente, isso me faz um bem danado.
Três - Como tem cachorra na noite.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A caminho...

Ando pensando muito em estrada. Houve uma época, talvez uma década atrás, em que era raro o final de semana que eu não rodava 400, 500k com sorriso de orelha a orelha. Algumas viagens eram tranqüilas, outras, verdadeiras epopéias, como as 36h dentro de um ônibus, sozinho, sem conhecer ninguém, do Rio ao interior de Pernambuco. Ou tantas outras.
Engraçado que nunca fez nenhuma diferença se viajava sozinho ou com mais gente. Óbvio que era divertido viajar em grupo. Mas eu sempre gostei da possibilidade de viajar comigo mesmo. Sempre fui uma ótima companhia pra mim. Lembro das madrugadas, sempre frias, nesses postos de beira de estrada, o estranho murmúrio que vinha junto com a cerração espessa no meio do nada. Gostava dessas paradas. Me faziam pensar. O espírito errante que se sacode dentro do meu peito há muito está adormecido. Aposentado. Sei que um dia ele volta, sei disso... ele está à caminho. Um dia sei que vou ouvi-lo batendo à porta, me chamando, com a velha mochila de lona pendurada num só ombro, o cobertor enrolado num pedaço de corda, o fones de ouvido pendurados no pescoço. Vou bater a porta sem fazer barulho, como sempre fiz e vou, comigo mesmo, pegar uma cerveja no bar do ponto de ônibus e entrar na condução, apreciando as árvores do lado de fora da janela enquanto converso comigo mesmo e a estrada rola... rola... rola...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Pusquê?

Tava lendo a Rolling Stone desse mês. Tem uma matéria daquele moleque que se suicidou em Porto Alegre e deixou cd, desenhos e coisetal. Não ouvi o cd, vi apenas os desenhos que publicaram. Interessantes, mas são desenhos de um garoto de 16 anos, modéstia à parte, eu desenhava melhor aos 16. Podia não saber representar tantas referências naquela época, mas tinha um traço melhor. As músicas não ouvi. Acho realmente duca um moleque com a idade dele compor coisa suficiente pra montar um cd, só consegui fazer isso com quase o dobro da idade dele.
Mas a questão não é bem essa, a genialidade ou não do garoto não vem ao caso... vem ao caso a estupidez do gesto.
Sim, eu sou bronco o suficiente pra achar suicídio uma estupidez. Em determinados casos (muito raros) posso até vir a relevar um pouco, mas não consigo imaginar alguém tirando a própria vida. Sei que sou simplista quando digo isso, mas é meu lado canalha, botequineiro e escroque que grita e não tenho a mínima vontade de dar um "cala-te!"
É falta de putaria.
Sim, falta de putaria. Se eu não quero morrer tão cedo de morte morrida, de morte provocada por mim mesmo então? Nunca! Ainda quero falar muita merda, perder noite de sono, me embriagar horrores, chegar em casa trocando as pernas e comer gente, muita gente.
Pode parecer grosseiro, mas acho que se esse moleque tivesse tido a companhia de uma meia dúzia de ruivas devassas (ou equivalentes) acho q ele não teria se matado. Por muito menos quero viver até os 100.
Sei lá o que se passa no coração das pessoas. No meu, eu sei. Putaria.
Sei ser sério, mas ainda acho que um pouco de libertinagem (no nível que cê conseguir suportar as conseqüências) é o que dá brilho à existência.

domingo, 9 de março de 2008

Facilidades

Um bar, sábado à noite. Mesmo com as respectivas mulheres na mesa, mocinhas vêm e vão, passando ao lado, mas não ao largo.
Incrível como é difícil manter a linha. Às vezes acho que essas meninas de peitos duros e bundas grandes fazem isso por esporte, algo como "Quantos casais nós conseguimos fazer brigar hoje por conta dos caras olhando pra nós". E não há abraço na oficial que dê jeito no aprumar decotes e rebolar à vista dos machos.
E é quase um exercício de estrabismo poder apreciar as beldades sem que algo seja percebido e a discussão comece.
"Se não houvesse uma aliança, seria muito mais fácil", pensa o mancebo, "Se não houvesse uma aliança, elas não se exibiriam" responde o sábio demônio interior.
"Se ela pára na minha frente, 'estrago' ela", torna o moço, "E estraga o casamento", retruca o demônio.
Como? Porque o demônio se faz de anjo uma hora dessas?
Minha cara senhora, o demônio é do mal, e não burro. Ele sabe que, sem possibilidades de se fazer algo errado, ele não tem serventia. Simples assim.
Outro gole na bebida, um abraço na oficial, de quem o moço muito gosta e tudo volta ao normal.

sábado, 8 de março de 2008

Por dentro

O que se passa no interior das pessoas?
Quanta raiva travestida de sorriso, quanto amor expresso em gritos.
É complicado ser alguém. Ser transparente, então, é impossível. Eu sou assim, pelo menos. Meu lombo está à disposição de selas, pelegos, cabrestos e esporas. Minha alma não.
Eu deixo você montar, chicotear e me guiar. Vai lá, não me importo com mais uma viagem, mais um peso, mais uma dorzinha nas ilhargas. Só não pense que estou indo porque VOCÊ QUER, vou porque acho que pode ser divertido, ou porque me é conveniente no momento. Na hora em que eu resolver mudar de rumo, tomo o freio nos dentes, beibe, e não tem chicote que me endireite.
A graça da vida é ir pela contramão com todo mundo achando que acompanho a manada.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Faxina

Tem horas que é bom tirar a poeira.
Desde o final do ano passado, a única coisa que tem ficado empoeirada é essa sacada aqui, de onde eu jogo palavras no ciberespaço. Não é minha primeira sacada, não é minha primeira janela.
Costumam falar de como primeiras vezes são interessantes. Não sei se concordo com isso.
O primeiro gole de cerveja desceu amargo e desagradável, até o dia em que soube aproveitar o prazer encerrado na cevada, no malte e no lúpulo. Uma primeira vez em pé, numa garagem abandonada, meio bêbado e tomando cuidado para que os gemidos da moça não fossem ouvidos pelos donos da casa, que dormiam o sono dos justos, meia janela acima, foram bem mais estressantes e desagradáveis que lençóis cheirosos e motéis baratos que fizeram uma fama a que nem sei mais se ainda faço jus.
O tremor na primeira vez que pisei num palco e brandi um acorde, ou que tive coragem de mostrar uma canção a alguém, são sombras distantes quando gravo algo no microfone vagabundo de meu micro e passo para amigos que vão ser sinceros quanto à suposta beleza de minhas letras e à evidente incapacidade de minha voz.
Nesse meio tempo que isso aqui pegou poeira, essa janela cuja paisagem nunca foi novidade, tanto que ficou tanto abandonada, feito a amante corriqueira que fica semanas sem a ligação do canalha que a conquistou, desempoeirei tantas coisas, que esta prateleira mais recente ficou encardida.
Sei que ninguém vai passar os dedos por aqui para conferir qual o nível de descaso do dono da casa. Porém passei o espanador, caso uma visita apareça, e o cinismo reluz sob os livros que ainda não tive tempo de ler.