Ando pensando muito em estrada. Houve uma época, talvez uma década atrás, em que era raro o final de semana que eu não rodava 400, 500k com sorriso de orelha a orelha. Algumas viagens eram tranqüilas, outras, verdadeiras epopéias, como as 36h dentro de um ônibus, sozinho, sem conhecer ninguém, do Rio ao interior de Pernambuco. Ou tantas outras.
Engraçado que nunca fez nenhuma diferença se viajava sozinho ou com mais gente. Óbvio que era divertido viajar em grupo. Mas eu sempre gostei da possibilidade de viajar comigo mesmo. Sempre fui uma ótima companhia pra mim. Lembro das madrugadas, sempre frias, nesses postos de beira de estrada, o estranho murmúrio que vinha junto com a cerração espessa no meio do nada. Gostava dessas paradas. Me faziam pensar. O espírito errante que se sacode dentro do meu peito há muito está adormecido. Aposentado. Sei que um dia ele volta, sei disso... ele está à caminho. Um dia sei que vou ouvi-lo batendo à porta, me chamando, com a velha mochila de lona pendurada num só ombro, o cobertor enrolado num pedaço de corda, o fones de ouvido pendurados no pescoço. Vou bater a porta sem fazer barulho, como sempre fiz e vou, comigo mesmo, pegar uma cerveja no bar do ponto de ônibus e entrar na condução, apreciando as árvores do lado de fora da janela enquanto converso comigo mesmo e a estrada rola... rola... rola...
quinta-feira, 27 de março de 2008
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