Uns tempos atrás, conversava com um amigo. Sobre o futuro dos jornais impressos. A internet estava cada vez mais forte, um portal se instalava próximo ao nosso local de trabalho e o amigo, que cursava jornalismo, se mostrava preocupado com o futuro.
Na época, chegamos à conclusão de que o futuro do jornalismo impresso seria investir em mais jornalismo investigativo, em detrimento "ao que aconteceu ontem". Estive pensando nisso ontem, enquanto a chuva caía à minha volta.
Não mudei muito de opinião nesses anos todos. Cada vez mais acho os jornais e revistas que entulham as bancas podres. Completamente podres. Não pelo fato de serem direita ou de esquerda. Acho a parcialidade totalmente aceitável, até mesmo preferível. Se quero opiniões de "direita", leio um jornal de "direita". Se quero uma opinião de "esquerda", leio um jornal ou revista que acha que o socialismo é o último grito.
O que me irrita é essa suposta imparcialidade e isenção. No final das contas, lemos o que os donos querem. Se o prefeito é do Partido X e libera uma verba ou abre um caminho, nada de falar mal dele. Criticar o Governador Y, que liberou a concessão? Jamais! Façam-me o favor e honrem as calças que vestem! Escolham um lado e assumam! Isso de ficar em cima do muro é que mata.
Além disso... acho que falta ao jornalismo atual a função de sentinela. Como? Simples... De quantos escândalos você ainda se lembra? Mensalão. Mensalinho. Dólar na cueca. Crise aérea. Que fim levaram esses e tantos outros? Melhor só falar dos acidentes na Avenida Brasil e engarrafamentos na Marginal Pinheiros, né? O povo tem memório curta. E, quem sabe aquele deputado que fez caca não pode ajudar a liberar a licença de construção de um novo prédio para a redação multimídia?
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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